Neurociência, a ciência do futuro e a filosofia


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As áreas do cérebro são formadas por neurônios que transferem informações entre si, tais áreas, no seu conjunto, também se destacavam por serem especializadas, algumas áreas especializaram-se no tratamento das imagens, outras da audição, outras da ação das vísceras. Tais explicações sobre cada área já é amplamente investigada e há várias informações técnicas sobre o assunto. Porém, o que deve ficar claro é que a pesquisa da neurociência especializa-se na tentativa de detecção de minúcias funcionais correspondentes as atividades cerebrais, a consciência ou, problema/mente corpo seria apenas algo a ser resolvido no âmbito da correlação dos estados fisiológicos dos neurônios, ou conjunto deles, com o comportamento manifesto do indivíduo. Em muitas áreas este tipo de correlação mostra-se promissora, como é o caso dos indivíduos com algum trauma cerebral (Luria,1973). Tais pacientes viram as suas capacidades mentais se deteriorarem, se não fosse a pesquisa da neurociência nunca poderíamos oferecer tratamentos para tais pessoas, ou ao menos entendê-las. Como é o caso dos mentalmente enfermos numa época pré-científica, que muito provavelmente sofriam de danos físicos no cérebro, sendo considerados culpados de certa forma até moralmente por algo livre do controle próprio do indivíduo. Se tivéssemos adentrado no progresso visto hoje, muitos deles teriam um tratamento eficiente de diagnóstico e possivelmente uma terapia adequada (Guimarães,1998)
Será apresentada a seguir (tabela 1.) as correlações entre os tópicos filosóficos e os da neurociência. Muito dos conceitos apresentados, como os das fibras sensoriais e origem da vida, servem de base para posteriores hipóteses, sendo assim, serão mostradas apenas as hipóteses já prontas e sua correlação com a  neurociência.

Tabela1. O diálogo possível entre os dois ramos do conhecimento.

Filosofia (Anteriormente) Neurociência
Mimese Platônica, Aprendizado por imitação de alguém fazendo algo. O primeiro estágio de aprendizado mostrado por Platão em sua obra a República. Neurônios espelho, novas descobertas demonstram a especialização de neurônios em reconhecer e simular a ação alheia acredita-se que seja a base para a nossa cultura.
O Ser no Existencialismo, segundo o qual o homem primeiro “existe” para “ser”. O desenvolvimento moldaria o seu “ser”e seu “agir”, sendo o “agir” o modo do “ser”. O sentido de “self” explicado pela neurociência poderia ser a base para explicações sobre o sentimento de existência individual.
Filosofia (Atualmente) Neurociência
Neurofilosofia, ramo que dentre outros assuntos aborda a base neural da moralidade. Avanços de neuroimagem (fMRI) possibilitam determinar que áreas do cérebro estão ativas, mesmo quando indivíduos tomam decisões morais.
Searle e sua teoria da Intencionalidade, mostra o cérebro como centro produtor da mente, e por conseguinte comportamentos, que poderiam ser categorizados, se for utilizada metodologia especifica. O percurso da neurociência demonstra a partir de estudos de danos no cérebro e sua correlação com o comportamento, o quanto o cérebro é necessário para a explicação do que é a mente.

Considerações finais

Podemos concluir à luz dos conhecimentos adquiridos, como do surgimento da célula até o neurônio, unidade fundamental na transmissão de informação, que os aspectos teóricos de base são imprescindíveis para a chegada de respostas às indagações como: o que é mente, dualidade corpo-mente, explicação do comportamento.

Como exemplos de novas alternativas de intercâmbio entre os ramos de conhecimento podemos citar o casal Churchland (1998; 2002), onde seus estudos em filosofia da mente aproximam dados de ponta de pesquisa tanto em neurociência quanto de ciência computacional, em prol da formulações de respostas para os já mencionados problemas.

Também devemos citar John Searle (2000), filósofo oriundo da filosofia da linguagem, que abarcou os conhecimentos propiciados pela neurociência, tentando formular hipóteses coerentes com a realidade cientifica.
Mais que necessária é a contribuição dos filósofos para as perguntas suscitadas pela neurociência e filosofia da mente, porém, pede-se àqueles que aceitem este desafio que se inteirem ao menos ao nível básico (em neurociência), para um rico dialogo interdisciplinar, fomentando discussões proveitosas entre neurocientistas e filósofos.

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